Grupo de Política Internacional

Europa das Ideias
05
Jun 09

A campanha eleitoral que hoje termina foi mais elucidativa do que esperava. Ao contrário do que muitos dizem, PS e PSD divergem em termos de pensamento europeu. As diferenças talvez não sejam tão significativas em questões de pormenor, mas os actores deste PS “europeu” e deste PSD “europeu” distinguem-se bem na visão de futuro para a Europa. Não tenho a menor dúvida que se a Europa evoluiu tanto nas últimas décadas, tal se deveu à coragem de grandes líderes que não tiveram medo de assumir riscos, de criar rupturas, de promover a liberdade, de ambicionar… Hoje somos massacrados diariamente com a palavra “crise” e quase esquecemos o notável desenvolvimento do espaço europeu e, em particular, do nosso país. Esse desenvolvimento alcançou-se através do estabelecimento de um espaço de paz, mas também da promoção da liberdade económica e de iniciativa dos cidadãos.

Ao contrário dos E.U.A., em que o modelo económico assente na liberdade nunca esteve em causa e, mesmo em tempos de crise, não está em questão (os desejos de muitos não são, felizmente, a realidade)… Na Europa, não obstante os extraordinários progressos, as resistências têm sido permanentes e têm-se acentuado nos recentes tempos de indefinição e angústia. É fundamental não voltar para trás… E é muito importante que o Parlamento Europeu não seja um espaço de reaccionários de direita e radicais de esquerda, mas sim de cidadãos responsáveis, sem preconceitos ideológicos e com a ambição de fazer da Europa um espaço único de progresso económico.
Ao longo da campanha os perfis dos vários candidatos revelaram-se. Encontrámos os moderadamente cépticos, os anti tudo de sempre, os conservadores de sempre e, no espaço socialista, os profundamente desconfiados quanto a um modelo económico europeu que preserve a liberdade de iniciativa dos cidadãos.
Assim, perante as alternativas que se apresentam, a minha decisão está tomada.
Pessoalmente, parece-me evidente quem olha para o futuro da integração europeia sem estar preso a dogmas do passado.
Continua a haver muito por fazer e não podemos parar.
 
Foi um prazer colaborar com este blog.
Até sempre!
publicado por Francisco Proença de Carvalho às 14:58

 

Dia 7, vá à praia, dê um mergulho, mas não “morra na praia”.
Dia 7, “há mar e mar, há ir e voltar”
Dia 7, vá votar.
 
Quem não fizer, perde legitimidade para criticar.
Quem não fizer, contribui para que o nosso país fique a ver navios e perca o comboio.
Quem não fizer, é cúmplice desta “apagada e vil tristeza”.
publicado por Bartolomeu Perestrelo às 11:05

Pela forma como decorreu a campanha eleitoral, já podemos ter uma certeza: Paulo Rangel significou uma vitória para a política portuguesa.  
publicado por Tiago Moreira de Sá às 09:27

Estamos na recta final destas eleições. temos hoje o último dia de campanha, no Sábado o desejado dia de reflexão  e, no o Domingo, o “dia da verdade”.

Paulo Rangel foi, inicialmente, uma escolha corajosa, arrojada, mas rapidamente se percebeu que era a escolha certa. Trouxe muita coisa boa, e uma abordagem que de certo modo refrescou o nosso cenário político.

Assistimos do outro lado, principalmente através do “candidato Vital Moreira”, a um agregado de contradições, imprecisões e ausência de posições assertivas em questões-chave, como:

(i)                  o caso do imposto europeu, que defendeu, mas logo se apressou a clarificar que isso não deveria implicar o aumento da carga fiscal, mas ao mesmo tempo recusou liminarmente a proposta de Paulo Rangel para a utilização do instrumento dos benefícios fiscais (Taxa Social única e  IVA), porque isso iria reduzir a receita do estado;

(ii)                a “roubalheira” que poderão representar certos votos cujo destino dos candidatos é desconhecido, isto é, se serve para a Câmara de Sintra ou para a Câmara do Porto;

(iii)               a avaliação do mandato de Durão Barroso à frente da EU, e consequentemente, se nele vota ou não em consonância com a posição do PM, etc.

O dado ou a percepção mais consistente que temos é que a abstenção será elevada, podendo baralhar os resultados finais.

A certa altura da campanha Paulo Rangel afirmou que esta seria uma “campanha de proximidade”. Todos nós podemos contribuir para a aplicação deste conceito, persuadindo cada um dos nossos familiares, amigas, amigos, tios, primos, primas, etc,  a convergir, o poder que a democracia nos conferiu através do voto, no candidato que se revelou mais consistente, destemido, preparado/habilitado e jovialmente competente. No tempo que resta para o acto eleitoral, esta é a “campanha de proximidade” do “candidato que há, em cada um de nós”.

 

publicado por nunocarlosaraujo às 00:38

04
Jun 09

Todos os outros Estados-membros da UE gostariam de ter um nacional seu como Presidente da Comissão. Nós conseguimos. Agora, alguns ilustres da nossa esquerda tentam torpedeá-lo, sem noção do interesse nacional. A promoção da colocação de portugueses em cargos de instituições europeias e de outras instituições internacionais consta, e bem, do programa do actual Governo e das grandes opções do plano 2005-9. É lamentável que parte do PS vá contra esta orientação, que deveria ser estratégica, relativamente ao cargo internacional mais importante para Portugal… Vem-me à memória a última palavra dos Lusíadas – inveja. Camões bem conhecia os portugueses, no seu melhor e no seu pior.

publicado por Bartolomeu Perestrelo às 20:02

 

As vantagens, directas e indirectas, de que Portugal usufrui devido ao cargo e ao desempenho de Durão Barroso (sem sacrificar o carácter supranacional da função) são óbvias, conhecidas e só não as vê quem não quer. A título de exemplo:
a)     o processo de negociações do quadro comunitário de apoios 2007-13 (atenção, vem aí o início da negociação do próximo…);
b)     o efeito “spillover” na colocação de outros portugueses em lugares-chave das instituições europeias (a nomeação de João Vale de Almeida como director-geral de relações externas é apenas o caso mais recente);
c)      informação privilegiada;
d)     prestígio, visibilidade, acesso e capacidade de influência acrescida para Portugal em termos europeus e internacionais;
e)     apoio imprescindível ao sucesso da Presidência portuguesa da UE em 2007 – Cimeira UE-África, Cimeira UE-Brasil, critérios de distribuição de fundos da PAC, empenho na valorização dos assuntos ligados ao mar no quadro europeu; etc.
 
Defender um português para Presidente da Comissão Europeia não é provincianismo, como alguns atiram. Não o defender é que é ignorância, ingenuidade ou insensatez.
publicado por Bartolomeu Perestrelo às 20:02

Recentemente, alguns senhores que já viveram muitas Primaveras acordaram lá do fundo do sono dos (auto-proclamados) justos para sugerirem um candidato alternativo a Durão Barroso para a Presidência da Comissão Europeia. Até aqui, nada surpreendente. Será salutar num processo que se quer cada vez mais democrático. Esperemos que os mesmos senhores depois saibam aceitar com “fair play” e espírito democrático a decisão dos eleitores e dos seus representantes eleitos. O que é surpreendente nisto é o entusiasmo que tal proposta contra um português num cargo de tamanha importância e influência para o nosso país colhe em certos sectores da esquerda e da extrema-esquerda portuguesa. Em política externa e em política europeia o interesse nacional deveria prevalecer sobre caprichos ideológicos e questões pessoais. É pena que para alguns que têm responsabilidades assim não seja.

publicado por Bartolomeu Perestrelo às 20:01

 

Será que depois do seu voluntarismo titubeante relativamente a um imposto europeu, Vital Moreira se lembrará de criar um imposto para as Nações Unidas? Mais um para a CPLP, mais um para a Cimeira Ibero-Americana, mais um para o Conselho da Europa, mais um para a OSCE…talvez até mais um imposto para a Internacional Socialista… Até onde? Provavelmente até não haver mais rendimento das Famílias e das empresas para “taxar” e a economia estiver asfixiada… Será caso para dizer, “pode-se tirar o homem do comunismo mas não o comunismo do homem”.
 
Enfim, ironias á parte, a realidade é que a carga fiscal não pára de crescer e aquele senhor ainda vem falar de impostos adicionais…
publicado por Bartolomeu Perestrelo às 20:00

 

Someone should institute an annual 4 June review of the Chinese, European and American models. Why 4 June? Because on that day in 1989, the European and Chinese paths out of communism definitively diverged. I will never forget standing in a newspaper office in Warsaw, amid the exhilaration of Poland's first semi-free election since the imposition of ­communist rule, and feeling my stomach turn as I watched the pictures of dead or wounded protesters being ­carried out of Tiananmen Square.
Twenty years on, we have two sharply contrasting, imperial-scale models, Chinese and European. Both are unprecedented, complex and evolving; both are products of what happened in 1989. Their strengths and weaknesses are in many ways contrasting. The American system, meanwhile, though in fundamentals much less changed by that year, has gone through a cycle from hubristic overreach (the neocons' "unipolar moment") to traumatic retrenchment (General Motors, RIP), which itself had a lot to do with the United States' sense of world-historical triumph at the end of the cold war.
publicado por Tiago Moreira de Sá às 16:21

03
Jun 09

 Ontem, Vital Moreira afirmou que “o PS casou-se com o europeísmo com a esquerda. Somos europeístas de esquerda. É esta a opção que temos para Portugal”.

 

Decerto o mesmo europeísmo que impeliu Ana Gomes a insistir, uma vez mais, num candidato alternativo do PSE, que contrarie a renovação da Comissão Barroso. Já Mário Soares uniu-se a Jospin, González e Schroeder – por sinal, o playmate da Gazprom no tão europeísta Northstream – no pedido de uma Comissão e de um Presidente de cunho socialista.

 

Vital Moreira, Ana Gomes e Mário Soares propõem para Portugal um “europeísmo de esquerda” que pretere o interesse nacional em função de difusas confluências ideológicas.


Talvez seja útil recordar como, em 1999, Soares perdeu para Nicole Fontaine a presidência do Parlamento Europeu ao apostar numa estratégia de “tudo ou nada”, recusando-se a dividir o mandato com a colega francesa. Porém a principal particularidade desta esquizofrenia do PS acerca da recondução, ou não, da Comissão Barroso é tornar público que, por detrás do azul-Obama da aura Sócrates e das gravatas impecáveis de Almeida Santos, há um “outro PS”- mais ideológico e conservador do que pragmático - que luta pelo reconhecimento e que viu estas eleições europeias como uma oportunidade inesperada de visibilidade.
 
É, particularmente elucidativo, por exemplo, o contraste entre a campanha de Vital Moreira e sua entourage e a entrevista de Luís Amado ao i de hoje, que, embora, levante problemas acerca do conteúdo, não contraria quanto à forma.

A principal questão, agora, é saber se é este “outro PS” que queremos a representar o interesse nacional na Europa, em especial, num momento em que José Sócrates já tomou consciência que Vital dificilmente o representará em qualquer círculo político, seja em Estrasburgo/Bruxelas  seja na fila para a máquina do café no Largo do Rato.

 
publicado por André Pires às 22:51

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