Grupo de Política Internacional

Europa das Ideias
16
Mai 09

Em primeiro lugar, gostaria de deixar bem claro, que sou totalmente a favor do apoio do Estado ao sistema Bancário. O modelo de desenvolvimento vigente, que assenta no crescimento económico, não é viável sem a imprescindível participação da Banca, e nesse sentido, é crucial que disponhamos de um sistema saudável e transparente. Aliás, se há lição que podemos tirar desde Setembro/Outubro até aos dias de hoje, é que o nosso sistema financeiro é sólido. Porventura, ainda não concede o nível de crédito desejável, principalmente para as empresas, mas isso são outros “quinhentos”.

Esta semana, no debate quinzenal, à saída do parlamento, e creio que mesmo no hemiciclo, o Sr. PM considerou “arrepiantes as recentes notícias sobre práticas de gestão fraudulenta no BPP e no BPN“.

Estas afirmações é que nos devem deixar “arrepiados” e, desde logo, nos permitem levantar um conjunto de observões/questões, que tentarei traduzir de forma mais clara que todo este processo, vejamos:

(i) Pelo que tem vindo ao conhecimento público, parece que, já seria do conhecimento “na praça” de que a gestão do BPN não seria a mais adequada. Do BPP veio-se a saber pouco tempo depois das primeiras intervenções;

(ii) O Estado injectou uma quantia muito significativa naquelas instituições para, “proteger os depositantes”;

(iii) Foi alguma vez convincente, considerar que estas instituições, alguma vez representaram o denominado “risco sistémico”, para o sector;

(iv) Porque demora tanto tempo o Governo a decidir o que fazer com aquelas instituições, ……… vamos entrar num período eleitoral….…;

(v) No caso do BPN, a nacionalização seria a única opção?!

Diria, para simplificar, o seguinte:

1. as referidas instituições nunca, mas nunca representaram o risco sistémico, qualquer que fosse o desfecho, mesmo o pior, nunca teria o mesmo efeito que um Lehman Brothers. As suas quotas de mercado eram insignificantes;

2. Se o interesse fosse proteger os depositantes, não seria mais apropriado ter-se adquirido as respectivas carteiras de depósitos, por exemplo, pelo banco do Estado, dando um sinal de confiança a todos os portugueses de que as suas poupanças estavam protegidas, entre outras vantagens, como evitar a delapidação do património de todos nós.

3. A quantia despendida para o apoio àqueles Bancos, não seria melhor colocada na concessão de crédito e/ou apoios a uma quantidade de empresas (i) cujos accionistas/sócios tenham tido um comportamento mais adequado na gestão dos seus negócios, (ii) cujo negócio seja economicamente viável e que atravessem grandes dificuldades de tesouraria, (iii) que por essas mesmas dificuldades de tesouraria não têm acesso aos “PME Invest”, por não cumprirem alguns dos requisitos, (iv) nas empresas que no total reúnem um maior número de trabalhadores.

Onde pretendo chegar, neste momento, é essencialmente a três pontos:

  • que aquelas decisões não foram devidamente ponderadas, nem os seus efeitos devidamente medidos;
  • que um PM não pode e não deve produzir as afirmações que fez, depois de ter intervindo como interveio no BPN e BPP, porque dá a sensação de que pretende “fugir” da responsabilidade que teve naquelas decisões e colocar-se agora do “outro lado da barricada”;
  • que nós é que nos devemos “arrepiar” quando existem incoerências que não deveriam sobressair.
publicado por nunocarlosaraujo às 19:30

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