Grupo de Política Internacional

Europa das Ideias
29
Mai 09

 
Ao contrário da percepção que existe de forma maioritária entre os europeus, nos últimos dois anos a presença militar europeia no Afeganistão aumentou de forma muito significativa. A ISAF cresceu de 32,800 efectivos militares em Novembro de 2006 para 61,960 em Março de 2009, sendo que uma grande parte das tropas proveio de países europeus. Neste mesmo período de tempo o número de tropas europeias no Afeganistão quase duplicou: de 17,433 para 26,389. Em termos percentuais, a União Europeia é actualmente responsável por 43% do total da força da ISAF (EUA: 47%; Canadá: 5%; outros 5%)

Para além do aumento quantitativo de tropas, os países europeus têm feito igualmente um crescente esforço militar ao nível qualitativo, nomeadamente no plano das zonas de intervenção e das características operacionais das missões de combate. A este respeito há a reter dois pontos: 1) no Sul do Afeganistão, onde os combates contra os Talibã são mais intensos, as forças do Canadá, Holanda, e Reino Unido foram reforçadas por uma mini coligação (a “coalition of the willing”) que inclui a Dinamarca, a Estónia e a Roménia; 2)a França e a Itália retiraram as restrições operacionais que se aplicavam aos seus militares (as chamadas caveats, que limitavam quer o âmbito geográfico de actuação das suas Forças Armadas, quer a natureza das operações), indo assim ao encontro dos insistentes pedidos de Barack Obama.
Acresce ao esforço europeu no campo estritamente militar o incremento na ajuda ao nível da formação das forças policiais afegãs. Desde 2007 que a UE tem no terreno uma missão conhecida por EUPOL, desenvolvida no âmbito da European Security and Defense Policy (ESDP), que aconselha e treina a policia nacional afegã. Em Maio de 2008 os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE decidiram duplicar o número de elementos acometidos a EUPOL.
Finalmente, a Europa também continua a fornecer ao Afeganistão uma substancial ajuda económica. Em 2002, na conferência de doadores de Tóquio, a Comissão Europeia (CE) prometeu uma ajuda de 1 bilião de euros por um período de cinco anos. Para os anos de 2007-2010, a CE disponibilizou um pacote de ajuda ao desenvolvimento no valor de 610 milhões de euros.
Não obstante esta realidade, a Europa deve corresponder aos pedidos da Administração Barack Obama de um ainda maior esforço no Afeganistão e por duas razões fundamentais: primeira, pelo interesse vital da relação transatlântica, único garante da segurança europeia; segunda, porque, como referiu Daniel Korski, um insucesso no Afeganistão deixa a Europa vulnerável às ameaças terroristas provenientes da Ásia Central.
publicado por Tiago Moreira de Sá às 16:58

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