Grupo de Política Internacional

Europa das Ideias
30
Mai 09
O projecto de integração europeia foi o resultado de três elementos essenciais: o horror da guerra; o sonho daqueles que acreditaram que havia um caminho de saída dos vários séculos de destruição mútua; a necessidade de encontrar respostas para crises sucessivas – a crise do Suez, as crises de Berlim, a Ostpolitik, o choque petrolífero, os euro-mísseis, entre muitas outras.
A Europa Unida foi assim o resultado da dor e da dificuldade, mas também da esperança, facto que importa ter presente no momento que atravessamos e que é do conhecimento de todos.
A primeira metade da década de 1970 exemplifica bem estas realidades essenciais nos tempos mais recentes.
Do cadinho da aquisição de uma paridade nuclear relativa por parte da URSS, da guerra do Vietname e da débacle americana, da guerra do Yom Kippur, do choque petrolífero, da crise energética, da Ostpolitik e dos receios do ressurgimento da “questão alemã”, da revolução portuguesa, entre muitas outras dificuldades, resultou um dos períodos de maior avanço do projecto europeu.
O ponto de viragem deu-se na Cimeira de Haia, de Dezembro de 1969, onde foi produzida a directiva que definiu uma nova orientação para a Comunidade Económica Europeia - «completar, aprofundar, alargar». Dentro desta linha de actuação, procedeu-se a uma revisão do orçamento comunitário, com o acordo acerca do método de financiamento da Política Agrícola Comum (completar); iniciaram-se negociações, ainda que inconclusivas, sobre cooperação política, união monetária e projectos conjuntos na área da tecnologia (aprofundar); e consumou-se a adesão do Reino Unido, Irlanda e Dinamarca (alargar).
Estes desenvolvimentos tiveram um amplo significado político. Tratou-se da assumpção por parte dos países europeus – especialmente por parte da Alemanha, Reino Unido e França – de uma maior preponderância internacional através da afirmação do projecto comunitário europeu no contexto das superpotências, o que contribuiu para a introdução de uma ainda maior fluidez do sistema internacional do período.
Como escreveu A.Deport: «No mínimo, uma Europa mais unida podia influenciar melhor as decisões americanas que afectavam os seus interesses vitais; na melhor das hipóteses, podia quebrar a rigidez e os riscos do [sistema] bipolar na Europa».
publicado por Tiago Moreira de Sá às 19:10

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