Grupo de Política Internacional

Europa das Ideias
23
Abr 09

 

O combate à crise, que se iniciou no sistema financeiro e depressa se estendeu à economia, foi articulado/concertado, em primeiro lugar pela EU, seguida de imediato pelos EUA, e pelo”Resto Mundo”, culminando na recente Cimeira dos G-20.
Entre outras medidas, tem sido generalizado o recurso à utilização de um continuado investimento público, entre eles as obras públicas.
Portugal situa-se no conjunto dos países com maior nível de dívida pública da UE, o que significa a necessidade, não de parar, mas sim de afectar os seus (nossos) recursos de modo mais selectivo. Se a tudo isto somarmos o downgrade do Rating da República, e a uma eventual subida das taxas de juro por parte do Banco Central Europeu, aquando da fase da retoma/crescimento, os encargos com o serviço da dívida poderão disparar, donde se reforça a necessidade do maior rigor nos investimentos/apoios que o Estado deve seguir para combater a crise.
Tomemos o seguinte exemplo, real. Portugal, com as Parcerias Público Privadas irá despender até 2039 cerca de € 35.182 Mios, que dá a media de um desembolso anual por parte do Estado na ordem dos € 1.135 Mios. Parte importante, € 11.692 Mios serão pagos entre 2010 e 2017, período que será, esperemos todos nós, coincidente com a retoma e o crescimento.
Sabendo-se que Portugal tem crescido pela via das exportações, que esse será o caminho que temos de seguir, para abandonarmos definitivamente o “crescimento anémico” em que temos vivido, e que só sairemos da crise quando os nossos principais parceiros comerciais saírem……é ou não legítimo ponderar e questionar, se esse bem tão escasso, que é o dinheiro, cada vez mais caro, deve ou não, na situação vigente, ser canalizado para as grandes obras públicas, ou se em alternativa se deveria apostar no apoio às empresas produtoras de bens transaccionáveis, com criação de valor, com flexibilidade operacional, enveredando-se por uma verdadeira “reforma do tecido empresarial”.
Governar é decidir, é tomar opções, e a opção que defende melhor os interesses do país é aquela que protege a “mola” do crescimento e garante o emprego, as empresas. Uma má opção poderá hipotecar o crescimento e o emprego.
publicado por nunocarlosaraujo às 23:32

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