Grupo de Política Internacional

Europa das Ideias
29
Abr 09

 

A Estratégia de Lisboa visa tornar a Europa no “espaço económico mais dinâmico e competitivo do mundo baseado no conhecimento e capaz de garantir um crescimento económico sustentável, com mais e melhores empregos, e com maior coesão social”. Este plano reveste-se de importância crucial para a competitividade e consequente sustentabilidade a longo-prazo do modelo económico-social e ambiental europeu.

 

Perante o desafio, os ideais sobrevivem através da mudança ou desvanecem pela inércia. Para preservar a essência do modelo social europeu e da economia social de mercado, de forma sustentável e adaptada ao mundo global e interdependente, são necessárias reformas estruturais, em boa parte, já previstas na Estratégia de Lisboa que urge concretizar.

 

Estando os objectivos há muito definidos, cabe-nos finalmente realizá-los com uma visão estratégica integrada e equilibrada entre as dimensões económica, social e ambiental, que se reforçam mutuamente. Nesse sentido há que investir na educação, investigação e conhecimento, qualificação e inovação. Portugal não pode ficar para trás.

 

publicado por Bartolomeu Perestrelo às 23:41

27
Abr 09

 

É do interesse nacional ter a Europa falar a uma só voz, de forma mais forte e consequente. Neste exercício Portugal deverá estar na primeira linha, reforçando a sua capacidade de influência para a defesa pró-activa dos nossos interesses.

 

Em conformidade com a Estratégia Europeia de Segurança, a UE deve contribuir activamente para a paz, segurança, liberdade e desenvolvimento internacionais, através de um Multilateralismo efectivo, tendo as Nações Unidas como núcleo central; e do reforço da parceria com EUA, assente numa comunhão de valores e partilha de interesses, que se reflecte no desenvolvimento das capacidades de defesa europeias (PESD) em complementaridade com a NATO.

 

Importa também aprofundar as relações da UE com África, Mediterrâneo, Médio-Oriente, América Latina, China e Índia, regiões e países com os quais Portugal pode e deve servir de ponte para a Europa, concretizando, dessa forma, a sua vocação universalista e daí retirando mais valias inerentes.

 

publicado por Bartolomeu Perestrelo às 23:58

Num texto publicado em 1986, um dos melhores especialistas em transições para a democracia, Laurence Whitehead, escreveu que o contexto regional era o meio mais eficaz de influência externa nos processos de democratização de um país. Concretizando, Whitehead destacou o papel desempenhado pela Comunidade Económica Europeia nos casos da Europa do Sul, classificando a CEE como «a maior fonte de poder» a este nível pois a simples vontade de adesão à Comunidade era um factor potenciador de uma evolução democrática (Whitehead, 1986)
Esta ideia foi retomada cinco anos depois por outro especialista, Geoffrey Pridham, que valorizou igualmente o factor regional neste âmbito, classificando-o como a variável mais significativa no impacto internacional da transição para a democracia. Segundo este autor a simultaneidade dos processos verificados na Europa do Sul, ou seja, em Portugal, Espanha e Grécia, comprovou a predominância do contexto regional, nomeadamente pela existência de um ambiente geopolítico comum; concretizando, Pridham considerou a Comunidade Económica Europeia e a NATO como elementos decisivos para a ocorrência de um mesmo resultado final em Lisboa, Atenas e Madrid. (Pridham, 1991)
Já Philippe Schmitter escreveu que existe na actualidade uma categoria crescentemente frequente nos fenómenos de transição de regimes não democráticos para a democracia  - a condicionalidade -, acrescentando que a sua expressão máxima tem sido a União Europeia que faz depender a adesão ao seu seio da existência de um regime democrático no país candidato (Schmitter, 1999)
Servem estas abordagens teóricas do fenómeno da transição para a democracia de base para concluir que o projecto de integração europeia tem sido o catalisador do paradigma democrático na Europa (aspecto particularmente relevante no caso português numa altura em que o 25 de Abril faz 35 anos).
E os números comprovam esta conclusão: em 1942, apenas 4 países podiam ser considerados democráticos - Grã-Bretanha, Suíça, Suécia e Irlanda. Actualmente, entre todos os países que podem ser considerados como europeus resta apenas um regime autoritário: a Bielorrússia.
 
publicado por Tiago Moreira de Sá às 22:44

25
Abr 09
Num livro recente, que recomendo vivamente, alguns dos melhores académicos americanos reflectiram sobre a herança do Presidente Woodrow Wilson na política externa americana do século XXI.
Numa dada passagem da obra, Anne-Marie Slaughter, actual directora do Policy Planning Staff do Departamento de Estado, defendeu que o actual paradigma do wilsonismo é a União Europeia; escreveu ela: «Wilson veria na União Europeia a realização da sua visão sobre a autodeterminação e a democracia».
Nos próximos posts vou debruçar-me sobre estes dois princípios – autodeterminação e democracia –, procurando demonstrar como eles foram realizados na Europa Unida.
 
 (G. John Ikenberry; Thomas Knock; Anne-Marie Slaughter; Tony Smith, The Crisis of American Foreign Policy. Wilsonianism in the Twenty-First Century, Princeton University Press, 2009)
publicado por Tiago Moreira de Sá às 11:38

23
Abr 09

 

O combate à crise, que se iniciou no sistema financeiro e depressa se estendeu à economia, foi articulado/concertado, em primeiro lugar pela EU, seguida de imediato pelos EUA, e pelo”Resto Mundo”, culminando na recente Cimeira dos G-20.
Entre outras medidas, tem sido generalizado o recurso à utilização de um continuado investimento público, entre eles as obras públicas.
Portugal situa-se no conjunto dos países com maior nível de dívida pública da UE, o que significa a necessidade, não de parar, mas sim de afectar os seus (nossos) recursos de modo mais selectivo. Se a tudo isto somarmos o downgrade do Rating da República, e a uma eventual subida das taxas de juro por parte do Banco Central Europeu, aquando da fase da retoma/crescimento, os encargos com o serviço da dívida poderão disparar, donde se reforça a necessidade do maior rigor nos investimentos/apoios que o Estado deve seguir para combater a crise.
Tomemos o seguinte exemplo, real. Portugal, com as Parcerias Público Privadas irá despender até 2039 cerca de € 35.182 Mios, que dá a media de um desembolso anual por parte do Estado na ordem dos € 1.135 Mios. Parte importante, € 11.692 Mios serão pagos entre 2010 e 2017, período que será, esperemos todos nós, coincidente com a retoma e o crescimento.
Sabendo-se que Portugal tem crescido pela via das exportações, que esse será o caminho que temos de seguir, para abandonarmos definitivamente o “crescimento anémico” em que temos vivido, e que só sairemos da crise quando os nossos principais parceiros comerciais saírem……é ou não legítimo ponderar e questionar, se esse bem tão escasso, que é o dinheiro, cada vez mais caro, deve ou não, na situação vigente, ser canalizado para as grandes obras públicas, ou se em alternativa se deveria apostar no apoio às empresas produtoras de bens transaccionáveis, com criação de valor, com flexibilidade operacional, enveredando-se por uma verdadeira “reforma do tecido empresarial”.
Governar é decidir, é tomar opções, e a opção que defende melhor os interesses do país é aquela que protege a “mola” do crescimento e garante o emprego, as empresas. Uma má opção poderá hipotecar o crescimento e o emprego.
publicado por nunocarlosaraujo às 23:32

“Há males que vêm por bem”. Foi assim que, no 1º debate entre os cabeças de lista às eleições europeias, o Prof. Vital Moreira se referiu à crise, à profunda crise que vivemos. O mal, “a crise”. O bem a que se referiu, seria contracção do PIB em 3,5%, o desemprego (8,2% em Janeiro de 2009), a crescente dívida pública, o “regresso” ao défice orçamental de 3,9%, a sucessivas falências, as dificuldades das empresas em acederem ao crédito?! (faz de conta que não ouvimos/lemos a previsões do FMI).

Nenhum destes males, alguma vez, poderá vir por bem.

No entanto, ao ouvi-lo, não pude deixar de admirar a sinceridade e a autenticidade com que o referiu, e logo me ocorreu uma citação de Winston Churchil na qual dizia: “Ser-se honesto é uma coisa boa, mas ter razão também é muito importante”.

 

publicado por nunocarlosaraujo às 23:32

Quantos portugueses sabem que em Lisboa se encontram sedeadas duas agências europeias?

Uma delas, a EMSA, não só responde à urgência de uma projecção integrada europeia no contexto marítimo, como, após o período de inicial fixação tem vindo a projectar-se, juntamente com a Agência de Defesa Europeia, como um dos players emergentes do edifício institucional da UE.

 
publicado por André Pires às 22:49

 

Após a queda do muro de Berlim, os derrotados, humilhados nas suas ideias, passaram a centrar o seu ódio nos E.U.A.. Começou então a desenvolver-se na Europa um anti-americanismo primário, fruto de uma espécie de sentimento rebarbado pelo fracasso do comunismo face ao sucesso dos verdadeiros valores da liberdade e democracia. Uma relevante fatia dos europeus pensou que o desenvolvimento do Projecto Europeu se faria contra a América.

Embora estejam imbuídos de um espírito Obamístico que os faz ter pudor em afirmá-lo frontalmente, muitas forças continuam a pensar exactamente o mesmo. Continuam a acreditar na superioridade moral da Europa face aos outros e a pensar que o progresso deste continente se faz contra os E.U.A..

Enganam-se! A desgraça do “American way of life” não é, nem nunca será, o lucro da Europa. Esta crise veio também provar isso.
Gostaria de saber o que pensam os candidatos ao Parlamento Europeu sobre este assunto, nomeadamente o do Partido Socialista…
publicado por Francisco Proença de Carvalho às 16:55

 

Ao apresentar duas candidatas a eurodeputadas (Elisa Ferreira e Ana Gomes) que serão dentro de uns meses também candidatas às eleições autárquicas, o PS dá um sinal de falta de empenho e de consideração pelo Parlamento Europeu.

Das duas, uma: ou esgotaram as pessoas que consideram ter perfil adequado, ou prevalece uma lógica de garantia de lugares em detrimento da defesa de projectos políticos. Pensando bem, o mais provável é serem as duas simultaneamente. É a dança das cadeiras...

 

publicado por Bartolomeu Perestrelo às 14:29

A não perder o artigo de opinião de Henry Kissinger, ontem, no Washington Post.

Fica aqui uma pequena parte, mas essencial:

 

«The administration's approach seems to be pointing toward a sort of concert diplomacy, which existed for some two decades after the Napoleonic Wars, in which groupings of great powers work together to enforce international norms. In that view, American leadership results from the willingness to listen and to provide inspirational affirmations. Common action grows out of shared convictions. Power emerges from a sense of community and is exercised by an allocation of responsibilities related to a country's resources. It is a kind of world order either without a dominating power or in which the potentially dominating power leads through self-restraint».

 

A questão que então se coloca é a seguinte: Qual o papel da Europa neste «concerto das nações»?

 

O concerto significa, na prática,  uma ordem internacional em transição para a multipolaridade e isto é (ou pode ser) uma oportunidade para a Europa se voltar a afirmar como grande potência mundial.

 

Como? O próprio Barack Obama deu recentemente a resposta: começando por classificar a integração europeia como «a estratégia de democratização mais bem sucedida da história, trazendo paz, estabilidade e prosperidade para milhões», acrescentou que o caminho passa por ainda mais integração.

 

E, traduzindo uma ligeira mudança na posição tradicional dos EUA relativamente à integração europeia, Obama expressou o seu total apoio à Europa Unida. 

 

Conclusão: A Europa unida é o único caminho para uma Europa como grande actor internacional. Isoladamente, mesmo a Alemanha, a França e o Reino Unido não passam de actores periféricos do sistema internacional.

 

publicado por Tiago Moreira de Sá às 10:20

pesquisar
 
sobre nós
Somos um grupo de jovens pró-europeus, que pretende contribuir para o avanço do projecto de integração europeia fomentando o debate de ideias sobre as grandes questões da actualidade, recordando a história da Europa.
subscrever feeds
desenvolvimento: Oceanlab
blogs SAPO